A biblioteca dos Paços do Concelho inseria-se no movimento das bibliotecas populares, pelo menos enquanto ideia.
Curiosamente, o primeiro leitor desta biblioteca foi Gustavo Pinto Lopes (que viria a ser o fundador da biblioteca municipal) cuja data de inscrição (2 de Janeiro de 1883) está registada no livro de Movimentos. Não se sabe ao certo que rumo tomou a biblioteca dos Paços do Concelho, no entanto, ficaria como marco da génese do conceito de biblioteca pública em Torres Novas.
Em Abril de 1933, a Câmara Municipal, presidida por Gustavo Pinto Lopes, deliberou a criação da Biblioteca e de um Museu Municipal e, através do jornal O Almonda, apelou à população para que oferecesse livros à biblioteca. As doações estiveram muito aquém do que se esperava. Mas, o empenho de Gustavo P. Lopes não se esmoreceu, acabando por ser convidado, em 1935, para assumir o cargo de conservador com a missão de organizar a biblioteca e o museu. A criação da biblioteca é indissociável da do museu. À época, estas instituições eram entendidas como sendo complementares, a Biblioteca-Museu representava o acervo histórico e artístico de tudo o que pudesse interessar sobre o passado.
Gustavo Pinto Lopes começou a coleccionar na Capela de Nossa Senhora da Piedade, na Casa Mogo de Melo, um amontoado de objectos da mais diversa índole (arqueológicos, etnográficos, etc.) e, ao mesmo tempo, ia adquirindo o primeiro lote de livros até cerca do primeiro milhar, materiais que posteriormente integraram o museu e a biblioteca.
A Biblioteca-Museu foi inaugurada a 20 de Junho de 1937, no Largo dos Combatentes: um edifício camarário de 1º andar e lojas (rés-do-chão), onde se optou pela instalação do museu no piso inferior e da biblioteca no 1º andar. A sessão de inauguração foi um acontecimento solene de grande importância para a vila.
Pelas obras inventariadas nas primeiras páginas do Livro de Inventário da Biblioteca apercebemo-nos da grande variedade de temas existentes na época: história (universal, da Europa e de Portugal), química, medicina, arqueologia, tecnologia e economia rural geografia e estatística de Portugal e das Colónias, teatro, museus, pintura, poesia, romance, gramática e dicionários. A Biblioteca Municipal era considerada um instituto de educação, que se revelava de êxito a julgar pelo número crescente de leitores: de 3 618, no ano de inauguração da biblioteca, o número de leitores cresceu para 15957 leitores, no ano do XX aniversário (1957).
Vinte cinco anos depois da abertura oficial, a biblioteca passa a ocupar as antigas instalações da escola industrial, ao Largo do Salvador, espaço onde ainda se encontra actualmente. Com a mudança, a Biblioteca de Torres Novas passou a contar com uma biblioteca infantil, apostou em políticas de difusão da leitura e do livro, que se traduziram num aumento dos leitores, e articulou os seus serviços com os estabelecimentos de ensino locais, adquirindo a quase totalidade de livros didácticos oficialmente adoptados. A biblioteca impôs-se, então, no meio torrejano como instrumento de sociabilidade e permuta cultural.
Após a revolução de Abril de 1974, as transformações mais notórias ocorreram no espólio, com a aquisição de obras cuja temática se inscrevia entre a filosofia e a prática dos sistemas políticos. Durante os anos da década de 1980, difundiu-se a ideia de que a biblioteca era um local de conservação e depósito de livros, o que prevaleceu sobre qualquer atitude de dinamismo e promoção da leitura, justificando-se, assim, o grande volume de aquisições durante esta década.
A partir de 1993, iniciou-se o processo de organização do espaço interno da biblioteca, tal como o conhecemos hoje, e de informatização do sistema. E em 1999 apareceu o Bibliomóvel: uma viatura com um vasto número de obras destinadas ao público infanto-juvenil, que percorre algumas escolas das freguesias do concelho de Torres Novas.
Chegados ao ano de 2006 (Março), a biblioteca inventariava um total de 41658 títulos. Do ano 2001 até Dezembro de 2006, a biblioteca contabilizou cerca de 61919 utilizadores (segundo os registos da recepção da BM), sendo 2002 o ano mais proveitoso e o menos vantajoso 2005. Entre 2002 e 2006, 5237 utilizadores recorreram ao empréstimo (estes por sua vez requisitaram 14247 monografias). Dos utilizadores requisitantes, pode-se afirmar, seguramente, que a maioria foram munícipes de Torres Novas, adultos, do sexo feminino, com o ensino secundário, uma licenciatura ou a frequentar o ensino superior (segundo as estatísticas do DocBase 2002-2006). Nos últimos cinco anos, a Biblioteca Gustavo Pinto Lopes registou uma média aproximada de 10 mil entradas (de pessoas) anuais, 860 mensais.
Passados quase quarenta e cinco anos desde as grandes comemorações do XXV aniversário da biblioteca e após a celebração dos setenta anos da sua fundação, a Biblioteca Municipal Gustavo Pinto Lopes conhece uma nova casa no Jardim das Rosas, construída de forma partilhada entre a Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas (ex-IPLB) e a Câmara Municipal de Torres Novas.
Entre Maio e Outubro do ano 2007, todos os funcionários da Biblioteca Municipal e do Arquivo Histórico Municipal mobilizaram-se no sentido de preparar a mudança para o novo edifício. Durante o fim-de-semana de 20/21 de Outubro, centenas de caixas de cartão (terão sido cerca de 3000 caixotes!) foram transportadas da biblioteca do Salvador para o novo edifício à Fontinha (topónimo antigo do largo onde se encontra hoje o edifício da biblioteca), onde, durante cerca de três meses, se organizaram os livros, revistas, jornais, cds e dvs nos depósitos e nas salas de leitura. Nos meses seguintes, a equipa de trabalho prosseguiu com as operações de tratamento biblio-técnico e arquivístico e com a redefinição de linguagens documentais, dos serviços e das áreas funcionais, visando uma gestão disciplinada deste equipamento cultural e garantindo a qualidade e a optimização dos recursos organizacionais.
Integrado no projecto da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas, o novo edifício da biblioteca apresenta-se como um espaço moderno de arquitectura contemporânea adequada ao seu funcionamento e de tamanho suficiente para albergar também dois serviços seus “aliados”: o Arquivo Histórico Municipal (e sua oficina de conservação e restauro) e o Gabinete de Estudos e Planeamento Editorial. O edifício novo da Biblioteca Municipal é um espaço aprazível que atrai e acolhe os seus visitantes. Um espaço que se prevê dinâmico, quer como centro de informação, quer como núcleo estimulador da diversidade cultural, no sentido do desenvolvimento pessoal e colectivo, aberto, gratuitamente, a todos os cidadãos sem distinção de idade, sexo, raça, religião, língua, condição social e física.
Contactos:
Biblioteca Municipal Gustavo Pinto Lopes
Jardim das Rosas
2350 Torres Novas
Tel. 249810310
e-mail: biblioteca@cm-torresnovas.pt
consulta do catálogo em http://biblioteca.cm-torresnovas.pt
Horário:
Segunda-feira – 14:00-19:30
Terça a sexta-feira – 10:00-19:30
Sábado – 10:00-13:00-14:30-17:30
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