"Mas se ele é pintor popular, também é um mago do branco, que terá ido beber a sua inspiração no engenho desse Fídias, da Grécia Antiga, para a comunicar em transparências de luz, em expressões inigualáveis e em sinfonias de alvura, presentes em Primeira Comunhão, Véu da Comungante, Asas, Comungantes, As Engomadeiras.
Disseram de Carlos Reis os seus biógrafos que era "realista e lírico, desenhista insigne e colorista admirável, prodígio de talento e assombro de técnica, retratista exímio e poeta da cor e da luz", e que imprimia vida aos retratos e palpitação às paisagens.
Porque se deixara invadir "pelo bucolismo da vida rústica dos campos" e pela "luminosidade soalheira" e porque "como homem são e equilibrado" que era, via a "natureza alegre, forte, cheia de harmonia nos seus contrastes de luz e de cor" e apreendia-a como poucos para a traduzir "pela intensidade da sua arte e pelo poder soberano do pincel".
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Carlos Reis era Torrejano; diremos aqui que regeu a cadeira de paisagem na Escola de Belas Artes de Lisboa, fundou o Grupo Ar Livre antecessor do Grupo Silva Porto, exerceu o cargo de director do Museu Nacional das Belas Artes e depois do Museu Nacional de Arte Contemporânea, foi dirigente do Grémio Artístico e da Sociedade Nacional de Belas Artes, e membro da Academia de Belas Artes de Lisboa.
Em 1940, recebeu a Grã-Cruz da Ordem de Santiago."