Ano: 2009
Número: 21
Série: II
Páginas: 312
Formato: 21 x 22 cm
Encadernação: Capa mole
Preço: 10 €
Colaboradores: António Mário Lopes dos Santos, Donald D. Horward, Ricardo Varela Raimundo, Vasco Jorge Rosa da Silva, Maria Elvira Marques Teixeira, Diana Gonçalves dos Santos, Franklin Pereira, Paulo Renato Ermitão Gregório, Carlos Leitão Carreira, Joaquim Rodrigues Bicho, João Carlos Lopes, António Ribeiro, Luís Miguel Preto Batista, Cláudia Costa, Gonçalo Lopes, Luís Mota Figueira.
Títulos dos Artigos: “Torres Novas e a Crise de Independência”; “Torres Novas e a invasão francesa de Portugal (1810-1811)”; “Da má indolle, e péssima educação ao sentir mal da Santa Fé Catholica e Lei Evangelica: o processo de Rafael Mendes Franco”; “Epígrafes tumulares da igreja do Salvador, de Torres Novas”; “Memorial de João Fillipe Gouveya – um militar português na Índia ao tempo do governador António César de Vasconcelos Correia, 1.º conde de Torres Novas(1863); “Murmúrios pétreos: escultura pública de João Cutileiro em Torres Novas”; “Identidade e marcas de cultura – a propósito de uma cadeira em couro lavrado na igreja de Santa Eufémia da Chancelaria”; “O retábulo perdido de Gaspar Soares”; “Cetua, um laço lusófono”; “A Fontinha. A fonte, a horta e o rio”; “Torres Novas, 1909: o primeiro jogo de futebol”; “Contributo para o estudo da obra literária de Andrade Corvo: o modo dramático. Acto primeiro – os dramas de actualidade”; “Maria Clementina Relvas e a sua Quinta da Barroca”; “Proposta de um instrumento de gestão do património arqueológico de Torres Novas”; “Património, museologia e turismo cultural: questões e propostas”; 2008 em revista; Nova Augusta em índice
Palavra-chave: história, história da arte, património, personalidades, arqueologia, estudos sociais, Torres Novas, Salvador, epígrafes, Relvas, João Cutileiro, Fontinha, Andrade Corvo, Chancelaria, Índia, Goa, inquisição, independência, invasões francesas, Pelet, futebol, Clube Desportivo de Torres Novas.
Através de elementos artísticos da vila de Ontem e da cidade de Hoje, como o retábulo quinhentista de Gaspar Soares, uma rara cadeira do século XVI, os “padrões henriquinos” do Estado Novo ou a arte urbana contemporânea de João Cutileiro, descobrimos outras faces de Torres Novas e das relações da vila/cidade com os artistas e com as artes, reflexos da cultura e do pensamento de cada época. As epígrafes tumulares da igreja do Salvador revelam jogos genealógicos e hierárquicos da sociedade torrejana dos séculos XIV ao século XVIII. O processo de Rafael Mendes Franco denuncia as práticas inquisitoriais, abrindo portas para o conhecimento da mentalidade, das práticas sociais e da geografia da vila setecentista. O diário do general Jean-Jacques Pelet serve de ponto de partida para o desenho da vila no início do século XIX e revela algumas consequências da presença francesa na região. O memorial de João Fillipe Gouveya (oficial de artilharia portuguesa), relatando as experiências vividas durante as viagens e a permanência em espaços do Oriente português, é, no domínio da história social, um ponto de interesse para a compreensão do legado histórico-cultural da presença portuguesa no Oriente. A partir do manuscrito de Gouveya, é possível aproximarmo-nos dos frágeis equilíbrios estabelecidos entre os poderes de maior ou menor centralidade, no tempo em que era governador da Índia portuguesa (Goa) António César Vasconcelos Correia, 1.º conde de Torres Novas (1855-1864), remetendo transversalmente para a complexa rede de estruturas económicas e administrativas do Estado da fragmentada Índia portuguesa da 2ª metade do século XIX. O ambiente cultural das últimas décadas de oitocentos é traçado na obra de Andrade Corvo, onde o drama de actualidade denuncia os vícios e as paixões da sociedade burguesa do Portugal do século XIX. Da política e administração do reino ficam, ainda, as reacções, a nível concelhio, da crise de independência do século XVI, filtradas a partir de documentação do Cartório Notarial de Torres Novas, presente no Arquivo Distrital de Santarém.
Para o retrato da sociedade torrejana do século XX, o topónimo Fontinha é o mote de um relato espontâneo das vivências nas margens do rio Almonda, no início e meados de Novecentos, e uma notícia centenária do “Jornal Torrejano” (27/04/1909) faz ecoar a história do primeiro jogo de futebol realizado em Torres Novas. O esboço do retrato sócio-económico do concelho é rematado com a biografia de Maria Clementina Relvas, irmã de José Relvas e filha do fotógrafo Carlos Relvas, e com a relação de bens e trabalhadores da sua Quinta da Barroca.
Nesta edição, seguindo-se a linha do ano anterior, há espaço para discutir as questões da gestão do património arqueológico, da museologia e do turismo cultural. Nas últimas páginas, na habitual rubrica «…em revista» resumiram-se, a partir da imprensa regional, os factos locais mais relevantes do ano de 2008. Por fim, e para quem procura algo mais sobre temas torrejanos, apresenta-se a listagem dos índices da “NA”, do n.º 1 (1962) ao número 20 (2008).
E é assim que a revista Nova Augusta se constrói: com colaborações de diversas proveniências geográficas e académicas, todas em torno da história (e das histórias) de Torres Novas e do seu termo. É de salientar o crescimento das participações de investigadores de reconhecido grau académico, das universidades do Minho, do Porto, de Lisboa, de Coimbra e de Évora, e a persistência das colaborações de investigadores locais. Há a registar, ainda, a abertura da “NA” à primeira participação internacional, proveniente da Universidade da Florida, pela pena do conceituado historiador, fundador e director do Institute on Napoleon and the French Revolution, professor doutor Donald D. Horward.
O crescimento da “NA” tem sido uma realidade. Essa evolução define-se pela quantidade de artigos apresentados, mas também e sobretudo, pela qualidade científica dos estudos e pelo reconhecido mérito dos seus autores. O desenvolvimento e a divulgação da “NA” são possíveis graças a uma sustentada rede de permutas que inclui grande parte das bibliotecas municipais do país, e ainda as bibliotecas, institutos e centros de investigação universitários. Mas devem-se, igualmente, a um projecto editorial de paixão, empenho e compromisso do Município de Torres Novas e de todos quantos se envolvem no processo de concepção, planeamento e produção de cada uma das edições da Nova Augusta.